sexta-feira, julho 01, 2005

Gravidez Ectópica

Uma gravidez ectópica, é aquela em que o feto se desenvolve fora do útero:

· Trompa de falópio;
· Canal cervical;
· Cavidade pélvica ou abdominal.


A fecundação do óvulo faz-se na trompa de falópio mas a implantação tem lugar no útero, no entanto:

· Se a trompa obstruir, (por exemplo, devido a uma infecção) o óvulo pode deslocar-se lentamente ou até ficar preso.

· As gravidezes no canal cervical, no ovário ou na cavidade abdominal, não são tão habituais, mas podem no entanto acontecer.

· Nos casos raros em que a mulher fica grávida com o DIU colocado, o risco de ter uma gravidez ectópica é elevado.

Incidência

· Uma em cada 100 ou 200 gravidezes é ectópica.
(por razões não muito claras, são cada vez mais frequentes)

· As gravidezes ectópicas são menos frequentes entre mulheres de raça branca.

Factores de Risco

· Uma doença na trompa do falópio;
· Uma gravidez ectópica anterior;
· A exposição fetal ao dietilestrilbestrol;
· Ou uma laqueação de trompas falhada

Uma gravidez ectópica constitui um risco para a vida e deve ser extraída o mais rapidamente possível.

(Segundo algumas estatísticas 1 em cada 826 mulheres com gravidezes ectópicas morre por complicações.)

Sintomas

Tipicamente por volta das 6 a 8 semanas, sente-se uma dor aguda e intensa na parte inferior do abdómen, seguida de um desmaio.

Estes sintomas habitualmente, indicam que a trompa se rompeu e, em consequência, que se produziu uma hemorragia intensa dentro do abdómen.

Se esta for gradual, provoca dores e, por vezes, uma sensação de pressão na parte inferior do abdómen devido à acumulação de sangue.

Se a hemorragia for rápida, pode provocar uma baixa grave da tensão arterial e, inclusivamente um coque.

Por vezes, uma gravidez ectópica desenvolve-se parte dentro da trompa e parte do útero. Neste caso surgem dores abdominais como cãibras e perdas hemáticas frequentes.

Neste ponto o feto conta com mais espaço para crescer, pelo que a rotura se dá mais tarde, geralmente entre a 12.ª e a 16.ª semana de gravidez. Esta rotura pode ser catastrófica, com maior taxa de mortalidade associada.


Diagnóstico

Pode-se suspeitar de gravidez ectópica quando:

· as análises ao sangue e á urina dão um resultado positivo de gravidez, mas o útero é mais pequeno do que previsto em relação á idade gestacional;

· a ecografia pode demonstrar que o útero está vazio e há
Sangue na cavidade pélvica ou abdominal;

· Para ajudara confirmar o diagnóstico, pode-se introduzir uma agulha atravessando a parede da vagina até chegar à cavidade pélvica e extrair o sangue acumulado devido á hemorragia (este processo designa-se de culdocentese).

Ao contrário do sangue de uma veia ou de uma artéria este sangue tem a particularidade de não coagular.

Tratamento

Geralmente, uma gravidez ectópica deve ser exirpada cirurgicamente. Quando se encontra na trompa de falópio, normalmente faz-se uma incisão dentro da trompa para se extrair o feto a placenta.

A trompa deixa-se aberta para que sare sem deixar cicatrizes, que poderão dificultar ainda mais uma futura concepção.
Em certos casos esta operação pode ser feita com um laparóscopio. Em situações excepcionais, as lesões da trompa são tão graves que esta pode ser reparada e é necessário extirpá-la.

Para tratar uma gravidez tubária na sua fase inicial, em que não se sente o batimento cardíaco do feto, também pode ser utilizada a administração de metotrexato, em vez de uma intervenção cirúrgica.


Baseado em : SHARP, Merck. "Manual merck: saúde para a família". Porto: Editorial Oceanos.